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Vacina contra o Papilomavírus Humano e a prevenção do câncer do colo do útero

Introdução

A infecção pelo papilomavírus humano (HPV) está associada com a ocorrência da maior parte dos casos de câncer do colo do útero. A prevalência mundial de câncer cervical é estimada em 2.274.000 casos.

Em todo o mundo, a cada ano são diagnosticados aproximadamente 500.000 casos com cerca de 270.000 óbitos devido ao câncer cervical invasivo. De acordo com informações publicadas pelo Organização Mundial de Saúde (OMS) em 2003, o câncer cervical foi o segundo tipo mais comum de câncer entre mulheres, atrás apenas do câncer da mama. Aproximadamente 80% dos casos novos ocorrem nos paises em desenvolvimento. A OMS estima que na ausência dos programas de rotina visando sua detecção precoce, como o Papanicolau, o câncer cervical seja detectado tardiamente e leve ao óbito na maioria dos casos.

Epidemiologia

Estudos epidemiológicas sugerem que a prevalência mundial da infecção pelo HPV seja de 9%–13%, correspondendo há aproximadamente 630 milhões de pessoas. O papilomavírus humano é uma das infecções mais comuns nos Estados Unidos. O Centers for Disease Control (CDC) avalia que o risco de aquisição desta infecção nos homens e nas mulheres sexualmente ativos seja de pelo menos 50%; até completar os 50 anos de idade, pelo menos 80% das mulheres vão adquirir pelo menos uma infecção genital pelo HPV. Nos E.U.A., estima-se que haja 20 milhões de pessoas infectadas pelo HPV; 6.2 milhões de pessoas se infectam com o HPV a cada ano sendo que 74% destas infecções ocorrem nos adolescentes e jovens sexualmente ativos com idade entre os 15 e 24 anos. Estudos entre mulheres com idade inferior a 25 anos demonstrou prevalência de infecção pelo HPV variando entre 28% e 46%. Os custos totais diretamente relacionados com o HPV nos Estados Unidos são estimados em aproximadamente US$ 3 bilhões por ano. Estes custos incluem consultas médicas, exames Papanicolau de acompanhamento, exames de HPV, colposcopia, tratamentos de neoplasias cervicais e verrugas genitais; os custos diretos anuais totais associados a verrugas anogenitais é de US$ 167,4 milhões.

Mais de 100 tipos de HPV já foram detectados; cerca de 30-40 tipos de HPV são anogenitais, dos quais ~15-20 são oncogênicos.

A maioria dos casos de infecção cervical pelo HPV não apresenta anormalidades citológicas detectáveis e muitas delas são autolimitadas. No entanto, um importante subconjunto vai se associar posteriormente à doença. O HPV 16 e o HPV 18 são considerados oncogênicos e são responsáveis por mais de 70% de todos os cânceres cervicais. As infecções por tipos oncogênicos estão associadas a lesões tanto de baixo quanto de alto grau. As infecções com estes tipos de HPV podem levar ao câncer cervical, o qual constitui a complicação mais séria decorrente da infecção por este vírus. Estudos mostraram que o HPV foi encontrado em 90%-100% das amostras de câncer cervical.

Tipos não-oncogênicos de HPV, principalmente tipos 6 e 11, são associados a lesões cervicais de baixo grau e verrugas genitais. Os HPV tipo 6 e 11 não são oncogênicos e são responsáveis por >90% de todas as verrugas anogenitais em mulheres e homens. A OMS estima que 30 milhões de casos de verruga genital ocorram a cada ano.

A morbidade relacionada ao HPV está associada, na maior parte, à displasia cervical ou verrugas genitais. A displasia cervical é causada tanto por tipos oncogênicos quanto por tipos não-oncogênicos. Virtualmente, todos os casos de câncer cervical se originam de displasias de alto risco.

Estudos longitudinais demonstraram que quase todas as displasias cervicais de alto risco são precedidas por infecções pelo HPV e que a distribuição dos tipos de HPV nestas displasias de alto risco são similares às encontradas no câncer cervical .
A infecção cervical contendo tipos de HPV de alto risco é um biomarcador importante, associada ao desenvolvimento de displasias de alto risco, e os genomas destes tipos de HPV de alto risco contém oncogenes que são preferencialmente retidos e se transformam em tumores cervicais.

A maioria das infecções por HPV é transitória. Presume-se que o desenvolvimento gradual de uma resposta imunológica efetiva, mediada pela célula, seja o provável mecanismo para o desaparecimento do DNA do HPV. Os tipos oncogênicos de HPV tem maior probabilidade de persistir do que os tipos não-oncogênicos, porém, mesmo estas infecções geralmente desaparecem em dois anos. É amplamente aceito que a infecção persistente com os tipos de HPV de alto risco é crucial para o desenvolvimento do pré-câncer e do câncer cervical.

A infecção pelo HPV é normalmente transmitida pela relação sexual, muito embora ela possa também decorrer de contato sexual não-penetrativo.

O maior risco comportamental associado à aquisição do HPV é o contato sexual, especificamente o número de novos parceiros por mês.

As infecções pelo HPV ocorrem tipicamente em mulheres logo após o início da atividade sexual. A maioria das infecções vai desaparecer no período de um ano. A neoplasia intraepitelial cervical (CIN) 1 é a manifestação clínica mais comum da infecção cervical pelo HPV. Estas lesões são anormalidades de baixo grau e a maioria das CIN 1 desaparece por conta própria. Uma pequena parte das mulheres vai apresentar infecções persistentes que podem levar a CIN 2/3 ou câncer cervical.

Vacina contra o papilomavírus humano

Na última década, ocorreu um grande progresso no desenvolvimento de vacinas contra o HPV. Os determinantes antigênicos do HPV geralmente se dividem em duas classes: proteínas precoces e proteínas tardias do capsídeo. O capsídeo do HPV não possue envelope, é icosaédrico e composto de duas proteínas (L1 e L2). As proteínas do capsídeo são os únicos antígenos acessíveis para uma resposta neutralizadora clássica pelos anticorpos para prevenir uma infecção. A presença das proteínas do capsídeo induzem a produção de anticorpos com uma resposta neutralizadora dos vírus.

A proteína L1 do capsídeo é o mais importante componente da capa viral e tem a propriedade, quando tem sua expressão aumentada, de se automontar espontaneamente em partículas semelhantes ao vírus destituídas do genoma viral oncogênico. As proteínas L1 do HPV automontadas simulam viriões intactos no que se refere a capacidade de induzir anticorpos neutralizadores em altos títulos.

A vacina quadrivalente é uma mistura de 4 estruturas recombinantes semelhantes ao vírus de tipos específicos de HPV, consistindo de proteínas do capsídeo principal L1 dos papilomavírus humanos (tipos 6, 11, 16 e 18 sintetizadas em Saccharomyces cerevisiae.

GARDASIL™ é a vacina PSV-L1 quadrivalente produzida pela Merck. Ela é feita com levedura recombinante, tal como a vacina da Hepatite B e adsorvida em um adjuvante de alumínio. Esta vacina não contém timerosal ou mercúrio.

Informe para profissionais da saúde

Quem deve se vacinar contra o HPV?

A vacina quadrivalente recombinante contra o papilomavírus humano está recomendada de rotina para meninas entre 11-12 anos, mas pode ser administrada a partir dos nove anos; esta vacina também está recomendada nas meninas e mulheres entre os 13 e 26 anos que não receberam ou que não completaram o esquema vacinal. Idealmente, a vacina deve ser administrada antes do início da atividade sexual.

Ainda não estão disponíveis estudos sobre a eficácia e os benefícios diretos e indiretos da vacinação nos indivíduos do sexo masculino.

Qual a eficácia e o tempo de proteção da vacina contra o HPV?

Estudos em mulheres entre 16 e 26 anos, sem infecção prévia, demonstraram eficácia de aproximadamente 100% na prevenção das lesões de neoplasia cervical, vulva, vagina e verrugas genitais causadas pelos quatro tipos do HPV presentes na vacina.

A duração da proteção desta vacina não está esclarecida. Estudos prospectivos, em andamento, demonstram que a vacina é eficaz por pelo menos cinco anos.

Qual o esquema recomendado de vacinação?

A vacina quadrivalente deve ser administrada por via intramuscular no deltóide em três doses separadas de 0,5 ml, de acordo com o seguinte esquema:

- primeira dose: na data escolhida;

- segunda dose: 2 meses após a primeira dose;

- terceira dose: 6 meses após a primeira dose;

Doses adicionais não estão recomendadas.

Quais as precauções em relação a esta vacina?

- Esta vacina está contra-indicada para pessoas com história de hipersensibilidade imediata a leveduras ou outros componentes desta vacina.

- A vacina não está recomendada para uso durante a gravidez.

- Pessoas do sexo feminino com imunodeficiência, associada a doença de base ou drogas imunossupressoras, podem apresentar resposta imunogênica e eficácia inferiores aquelas observadas nos indivíduos imunocompetentes.

- A segurança desta vacina ainda não foi avaliada nos indivíduos infectados pelo HIV.

- A vacina quadrivalente pode ser administrada a nutrizes.

- Esta vacina pode ser administrada, na mesma visita, simultaneamente com outras vacinas tais como: hepatite B, dupla adulto e Tdap (tríplice bacteriana acelular).

Quais os efeitos colaterais desta vacina?

Esta vacina não apresentou efeitos colaterais sérios; dor no local da administração é comum porém de leve intensidade.

Organização Mundial de Saúde. “Vacinas contra o papilomavírus”. Organização Mundial de Saúde; 2001. (http://www.who.int/vaccines/en/hpvrd.shtml/shtml).

Organização Mundial de Saúde. “Pesquisa e desenvolvimento de vacinas de ultima geração: Iniciativa para pesquisa em vacinas”. Genebra, Suíça: Organização Mundial de Saúde; 2003;1–74.


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